Calvino repetidamente expressa a idéia de que o pecador não poderá participar dos benefícios da obra redentora de Cristo, se não estiver em união com ele, e, assim, dá ênfase a uma importante verdade. Assim como Adão foi a cabeça representativa da velha humanidade, Cristo é a Cabeça representativa da nova humanidade. Todas as bênçãos da aliança da graça dimanam dele, em sua qualidade de Mediador da aliança. As operações e bênçãos da graça especial só podem ser recebidas e desfrutadas por aqueles que se acham em união com Cristo. Subjetivamente, a união entre Cristo e os crentes é efetuada pelo espírito santo de maneira misteriosa e sobrenatural, razão pela qual é geralmente denominada união mística.
1. A Natureza da União Mística
Os luteranos entendem que união mística é estabelecida pela fé. A teologia reformada calvinista emprega a expressão “união mística” num sentido amplo, não somente como designativo da união subjetiva de Cristo e os crentes, mas também da união que lhe é subjacente e básica, e da qual é apenas a expressão culminante, a saber, união federal de Cristo e os que lhe pertencem no conselho da redenção, a união mística estabelecida idealmente naquele conselho eterno, e da união efetuada objetivamente na encarnação e na obra redentora de Cristo.
Portanto, pode-se definir a união mística como a união íntima, vital e espiritual entre Cristo e o seu povo, em virtude da qual Ele é a fonte da sua vida e poder, da sua bendita ventura e salvação. É uma união que lembra a da videira e seus ramos (Jo 5:23-32) e a cabeça e os membros do corpo (Ef 4:15,16).
2. Características da União Mística
a. É Uma União Orgânica: Cristo e os crentes formam um corpo. Cada parte serve a cada uma das outras e por estas é servido, e juntas são subservientes ao todo numa união que é indissolúvel (Jo 15:5; I Co 6:15-19; Ef 1:22,23).
b. É Uma União Vital: Cristo é o princípio vitalizador e dominante na vida dos crentes. Sem esta união não haveria vida cristã (Rm 8:10; II Co 13:5; Gl 4:19,20.
c. É Uma União Mediada Pelo Espírito Santo: Mediante o Espírito Santo, Cristo agora habita nos crentes, une-os a Si e os entrelaça numa unidade santa (I Co 6:17; II Co 3:17,18; Gl 3:2,3).
d. É União Que Implica Ação Recíproca: O ato inicial é de Cristo, que une os crentes a Sí regenerando-os e, deste modo, produzindo fé no interior deles. Por outro lado, o crente se une também a Cristo por um ato consciente de fé e dá continuidade a essa união, sob a influência do Espírito Santo, pelo constante exercício da fé (Jo 14:23; Gl 2:20; Ef 3:17).
e. É Uma União Pessoal: todo crente está uniado pessoal e diretamente a Cristo. A Idéia de que a vida que há na igreja mediante Cristo dimana da igreja para o crente individual e decididamente antibíblica, a Bíblia sempre dá ênfase ao vínculo do crente com Cristo (Jo 14:20; Jo 15:1-7; II Co 5:17; Gl 2:20; Ef 3:17,18).
f. È Uma União Transformadora: por esta união os crentes são transformados à imagem de Cristo, segundo a sua natureza humana (Mt 16:24; Rm 6:5; Gl 2:20; Cl 1:24; I Pe 4:13).
3. Conceitos Errôneos da União Mística
a. Erro Místico: os místicos entendem que a união mística como uma identificação do crente com Cristo. De acordo com este conceito, há nela uma união de essência, a qual a personalidade de um simplesmente se funde na do outro, de mansira que Cristo e o crente não permanecem como pessoas distintas. Nas palavras de um extremista: “eu sou Cristo Jesus, a Palavra de Deus vida..”,
b. Erro Sociniano e Arminiano: apresentam a união mística como simples união moral ou como uma união de amor e simpatia. Envolveria nada mais que uma amorosa adesão a Cristo, um serviço amigável presado gratuitamente a Ele, e a pronta aceitação da mensagem do reino de Deus. É uma união que não requer um Cristo em nós.
